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quinta-feira, 13 de março de 2014

Mandalas: sobre o que nos fala esta palavra



A mandala é uma ferramenta para se conectar com o universo, com a essência da vida. Mas também pode levar ao encontro das mais desconhecidas características pessoais. A força das formas e das cores tem poderes incríveis. Como símbolo para meditação contemplativa, trabalhar com as mandalas sugere significados intermináveis. Em certos momentos em que nos sentirmos confusos, jogados de um lado para outro pelos altos e baixos da vida; a meditação sobre o centro de uma mandala nos acalma, colocando-nos em contato com sua eterna estabilidade. Ou quando nos sentirmos mortos e sem vida, a contemplação do movimento de uma mandala, ajuda-nos a estabelecer contato com a ilimitada energia da vida. Mandala é uma imagem circular composta por um padrão de formas que se repetem simetricamente em torno de um ponto central. Integração cósmica, processos de cura, contemplação divina, meditação, relaxamento, busca espiritual, função terapêutica. São inúmeras as possíveis utilizações dessas poderosas imagens. A Mandala é um daqueles assuntos ‘clássicos e consagrados’ que tem significado tão profundo e abrangente que se torna difícil, por vezes, encontrar definições fiéis ao seu rico sentido.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012


Mandalas - um pouco mais


“Tudo o que é visível deve se expandir para além de si mesmo, até penetrar no âmbito do invisível. Desse modo alcança sua verdadeira consagração e clareza, enraizando-se firmemente na ordem cósmica.” I CHING, O CALDEIRÃO (pg 156).
Introdução
E enfim, porque será que as Mandalas tem o dom de fascinar tanto a tantas pessoas? Talvez porque tenham o dom de nos aproximar de nosso centro mais íntimo, mais pessoal; talvez porque elas pareçam nos sussurrar sem palavras o mistério da vida e do cosmos; ou, ainda porque elas nos convidem a interrogar e dialogar sobre a ordem e o caos. E, em geral por seu poder para nos explicar tanto sobre nós mesmos e forma como nos relacionamos uns com os outros. A verdade é que as Mandalas encerram em si uma força incrível para nos levar na nossa infinita jornada de “volta para casa.”
Segundo a tradição do Budismo tibetano, a Mandala é um diagrama circular simbólico de todo o universo. A morada de signos e símbolos para meditar, do divino, entendido como emanação de sabedoria. Faz referência a um universo puro, original, primitivo. Cada Mandala transborda sinais que podem ser um reflexo do estado da mente de alguém.
Recordemos que em sânscrito, mandala significa círculo e também centro. Ao redor de um ponto central se desenham formas e impressões que em seu conjunto abrem as portas para os palácios do conhecimento. Mandala também possui outros significados, como círculo mágico ou concentração de energia. Universalmente a mandala é o símbolo da totalidade, da integração e da harmonia. Ela pode ser utilizada na decoração de ambientes, na arquitetura, ou como instrumento para o desenvolvimento pessoal e espiritual. A mandala restabelece a saúde interior e exterior. Podemos usá-la para a cura emocional, que refletirá positivamente em nosso estado físico, e assim ficaremos com mais saúde e vigor. Também podemos utilizá-la para a cura de ambientes, como o familiar e o de trabalho, ou para preparar um espaço especial, onde você irá meditar ou fazer sessões de cura. A mandala atua no aspecto físico, emocional e energético. No aspecto físico, promove o bem-estar, o relaxamento e a prevenção do estresse. Emocionalmente, pode trabalhar conteúdos oriundos de emoções antigas, atuais ou futuras, pois sinaliza aqueles que irão emergir. No aspecto energético, ela ativa, energiza e irradia, harmonizando ambientes físico ou pessoal carregados negativamente, ou aura de sofrimento e tristeza. Ainda energeticamente, pode levar a pessoa a contatos com dimensões supraconscientes e ao encontro de um caminho espiritual. Neste sentido, a mandala foi, e ainda é, muito utilizada para a meditação e para o desenvolvimento e a ampliação da consciência.
Mandalas têm sido usadas ​​em várias tradições espirituais e culturas como um objeto de meditação e como símbolos de um conjunto e integração. Encontramos Mandalas especialmente na tradição espiritual tibetana e indiana, mas também na América cristã e nativa. 
C G Jung usou as Mandalas de seu trabalho psicoterapêutico, e foi um dos pioneiros a introduzir o desenho de Mandalas para o Ocidente. Muitos artistas utilizam mandalas como uma forma de expressar sua criatividade e também descobriram que uma ferramenta fantástica que é de aprofundar o nosso próprio coração e entrar em contato com nossa natureza interior verdadeira.  O desenho de Mandalas é atualmente usado também nas escolas em muitas partes do mundo, desde quando se descobriu que ele ajuda as crianças a se concentrar e se acalmar.  A criação de Mandalas é uma experiência de meditação de foco forte e presença. Meditar sobre uma mandala é também um calmante e experiência da mente.  "Fazer uma mandala é uma disciplina para puxar tudo que está quebrado difuso em nossas mentes. Colocar esses aspectos de nossa vida juntos, encontrar um centro". ( Joseph Campbell, 1990).
"Na minha exploração, a mandala é a porta para a linguagem da alma. Quando você aprende esta língua, você ganha acesso a eterna sabedoria e mistério da alma. Sua vida será alterada, ampliada, agraciada, e aprofundada para sempre." (Paul Heussenstamm, 2012)
O psicólogo britânico, David Fontana, autor de vários livros de meditação, crê que a natureza simbólica da Mandala pode ajudar os meditadores a alcançar níveis progressivamente mais profundos do inconsciente e a experiência de um sentido místico da unidade. Jung pensava que a Mandala era uma representação do eu inconsciente. Segundo ele, sua pintura de Mandalas o ajudou a trabalhar até a plenitude de sua personalidade. “As Mandalas expulsam e exorcizam como um circulo mágico às forças anárquicas do mundo das trevas e constroem ou geram um contorno que transforma o  caos em um Cosmos” ( Carl Jung, 2002).
Todas as formas e cores são atos de energia e informação; ainda mais os símbolos sagrados, sólidos platônicos, mandalas e yantras que são de natureza arquetípica e sublime que estão fundamentados em leis e preceitos universais, portanto possuem em si mesmos, simetria, esplendor e beleza que inspiram harmonia superior e nos põe em contato com o sagrado do Cosmos.
O interesse ocidental pelas Mandalas se deve em grande parte à obra do psiquiatra Carl Gustav Jung. Ele estudou as Mandalas orientais e descobriu que as propriedades integradoras delas eram benéficas no processo psicoterápico; desenhando Mandalas seus pacientes podiam começar a por em ordem seu caos interior. Muitas pessoas usam as Mandalas por suas virtudes terapêuticas, que permitem recobrar o equilíbrio, o conhecimento de si mesmo, o sossego e a calma interiores, necessários para viver em harmonia.
Tucci (1961) admite que as Mandalas foram descobertas em experiências de introspecção motivadas por alguma necessidade intrínseca do espírito humano. Só mais tarde elas foram utilizadas com o fim de reconstruir um caminho para estados mentais que originalmente as inspiraram. A Mandala, nascida, portanto de um impulso interior, tornou-se, por sua vez, um suporte para a meditação, um instrumento externo para provocar e obter essas visões com serena concentração e meditação. As intuições que a princípio se mostravam caprichosas e imprevisíveis são projetadas para fora do místico, que, concentrando a mente nelas, redescobre o caminho para alcançar sua própria realidade oculta.
Joan Kellogg (1977) dizia que quando criamos uma Mandala geramos um símbolo pessoal que revela quem somos num dado momento.
Depois de Jung cada vez mais despontam ao redor do mundo ocidental inúmeros grupos que se dedicam a estudar ou desenhar e pintar Mandalas seja com objetivo artístico ou terapêutico. Encontramos esses grupos na Europa, Américas do Norte, Central e Sul. A cada dia que entramos na internet nos deparamos com um novo grupo ou até mesmo artistas e artesãos isolados que apresentam seus novos trabalhos.
 No dizer de Celina Fioravante as Mandalas possuem a capacidade de reordenar o corpo vibracional áurico, modificando sua estrutura, pois a faixa de atuação vibracional é muito ativa. Nos atuais tempos de transição, devemos nos centrar em nós mesmos, como faziam nossos antepassados. Essa nova necessidade de orientação para uma nova realidade faz que, temporariamente focalizemos nosso interior. A mandala nos ajuda a recorrer a reservatórios inconscientes de força que possibilitam uma reorientação para o mundo exterior. Desse modo compreendemos que o caminho da Mandala é uma meditação ativa que tem como objetivos a evolução pessoal e o aperfeiçoamento espiritual. A criação de Mandalas faz que a pessoa colabore com o processo de individuação. Criá-las é sustentar a integridade do ego. Ao mesmo tempo, é-lhe dada uma visão panorâmica do contexto maior do Self, dentro do qual o ego existe. Desenvolver Mandalas ou pintá-las serve como um expediente centralizador que faz emergir lucidez da confusão. As Mandalas podem mantê-lo em contato com a sabedoria interior e ajudá-lo a vivenciar quem você realmente pretende ser. O caminho da Mandala torna-se uma celebração desta dádiva que é a própria vida: uma oportunidade para evoluir, amar e ser.
Para se alcançar a energia vibracional de uma Mandala há três caminhos, igualmente importantes: o da numerologia, o da geometria e o das cores. Muitas pessoas sentem-se intimidadas diante de uma folha de papel em branco para iniciarem seus desenhos em círculos e preferem apenas colori-los. Parece que estas pessoas tem uma etapa necessária para vencerem em seu desenvolvimento. Por isso, para atender as pessoas que preferem apenas colorir Mandalas é que este grupo de Mandaleiras doou seus desenhos. “A pintura de uma mandala, nos proporciona o contato com as cores, que ajudará a restabelecer o equilíbrio do organismo, e em consequência obtendo cura. O trabalho com as cores também estimula os chakras do corpo humano. Para cada cor existe uma vibração que atua dentro destas rodas de energia.” Celina Fioravante (2007).
BIBLIOGRAFIA:
CAMPBELL, Joseph. O poder do mito. São Paulo: Palas Athena, 1990.
FINCHER, Susanne F. Creating Mandalas. Boston: Shambhala, 2010.
FIORAVANTE, Celina. Mandalas – Como usar a energia dos desenhos sagrados. São Paulo: Pensamento, 2007.
Heussenstamm, Paul. http://www.mandalas.com/ Acessado em 20/08/2012.
JUNG, Carl Gustav “O simbolismo da Mandala” in Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2002.
_______________ & WILHELM, Richard. O segredo da flor de ouro – Um livro de vida chinês. Petrópolis: Vozes, 1984.
KELLOG, Joan “The use of Mandala in Psychological Evaluation and Treatment”. American Journal of Art Therapy. 16:123, 1977.
Mandaleiras do Universo. http://mandaleirasdouniverso.blogspot.com.br/ Acessado em 28/08/2012.
TUCCI, Giuseppe. The theory and practice of the Mandala. New York: Dover Publications, Inc., 1961.
WILHELM, Richard. I Ching – O livro das mutações. São Paulo: Pensamento, 9ªed, 1993.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Como construir um Yantra

Os Yantras
Na Índia as Mandalas são chamadas de Yantras. Yantra é um diagrama cósmico de origem hindu. As civilizações do vale do Indo – faz cinco mil anos – já os utilizavam com fins mágicos. Eram outorgados a eles o poder de devolver a saúde, vencer os perigos, provocar a chuva, aumentar a fertilidade da terra ou assegurar o êxito na casa. Mas além disto e de sua beleza e harmonia formal, o yantra é uma chave que nos permite sintonizar com as energias suis do macrocosmos. Os hindus consideram que estas figuras geométricas tem a capacidade de nos colocar em contato com energias e entidades superiores e por isso lhes conferem grande importância no desenvolvimento espiritual.
A contemplação de um yantra favorece a calma e a concentração e por isso promove o bem estar físico, psicológico e espiritual.
Como construir um Yantra
A construção de um yantra não é difícil se seguirmos calmamente o passo a passo abaixo para sua construção. Para construir seu primeiro yantra sugerimos a medida de 24cm de diãmetro por ser mais fácil para fazer divisão por 48 pontos. Uma vez que você tenha construído seu primeiro yantra pode ajustar novas medidas, obedecendo apenas a proporcionalidade. Esta não é a única forma de construir um yantra, mas foi aquelacom que me adaptei melhor depois de múltiplas tentativas. Vamos lá.
     






      1- Comece desenhando um circulo com 24 cm de diâmetro. E marque 48 pontos no sentido Norte -Sul, com a distância 0,5cm entre cada um:
Fig. 1: Dividindo o diâmetro de 24cm por 48 pontos de 0,5cm cada.





1-   2- Marque os pontos 6, 12, 17, 20, 23, 27, 30, 36 e 42 e trace uma linha horizontal em cada um deles como a figura abaixo. Você terá as linhas de 1 a 9:
Fig. 2: As nove linhas do Yantra.





1-   3-  Agora você vai apagar proporcionalmente cada linha:

. Da linha 1, tirar 3cm, 1,5 de cada lado.
. Da linha 2, tirar 5cm, 2,5 de cada lado.
. Da linha 3, não tira nada, manter como está.
. Da linha 4, tirar 16cm, 8cm de cada lado.
. Da linha 5, tirar 18cm, 9cm de cada lado.
. Da linha 6, tirar 16cm, 8cm de cada lado.
. Da linha 7, não tirar nada, manter como está.
. Da linha 8, tirar 4cm, 2cm de cada lado.
. Da linha 9, tirar 3cm,1,5 de cada lado.

Desse modo terá a seguinte figura:


Fig 3: As nove linhas do Yantra, cortadas proporcionalmente.


4- Construção do primeiro triângulo
     Usar como base a linha 9 e uni-la com o ponto nº 17, no centro da linha 3.


Fig 4: Construção do primeiro triângulo.

5-   Construção do segundo triângulo
      Usar com base a linha 8 e uni-la ao ponto 6, no centro da linha 1.


Fig 5: Construção do segundo triângulo.



 6- Construção do terceiro triângulo
     Usar como base a linha 7 e uni-la ao ponto 0.


Fig 6: Construção do terceiro triângulo.

7-  Construção do quarto triângulo
      Usar como base a linha 6 e uni-la ao ponto 12 no centro da linha 2.


Fig. 7: Construção do quarto triângulo.

8-  Construção do quinto triângulo.
     Com o triângulo anterior terminamos a construção dos triângulos voltados para o céu, para o norte e a partir do quinto triângulo         iniciamos a construção dos triângulos voltados para a terra, para o sul. Usar como base a linha 5 e uni-la ao ponto 30, no centro da linha 7.


Fig. 8: Construção do quinto triângulo.


9-   Construção do sexto triângulo.
      Usar como base a linha quatro e uni-la ao ponto 36 no centro da linha 8.


Fig. 9: Construção do sexto triângulo.


10-  Construção do sétimo triângulo.
       Usar como base a linha 3 e uni-la ao 48º ponto.


Fig. 10: Construção do sétimo triângulo.


11- Construção do oitavo triângulo.
      Usar como base a linha 2 e uni-la ao 42º ponto, no centro da linha 9.


Fig. 11: Construção do oitavo triângulo.

12-  Construção do nono triângulo.
       Usar como base a linha 1 e uni-la ao ponto nº 27, no centro da linha 6.


Fig. 12: Construção do nono triângulo.










terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Em torno do tema círculo

"A lei do mundo é o movimento, a lei do centro é a quietude. Viver no mundo é movimento, atividade, dança. Nossa vida é um dançar constante ao redor do centro, um incessante circundar o Uno invisível ao qual nós - tal como o círculo - devemos nossa existência. Viemos do ponto central - ainda que não o possamos perceber - e temos saudades dele. O círculo não pode esquecer sua origem - também sentimos saudades do paraíso. fazemos tudo o que podemos porque estamos à procura do centro, do nosso centro, do centro". (Thorwald Dethlefsen, 1984)


O Homem estudado em muitos momentos da história da humanidade, faz uso de mandalas, como forma de expressar-se, além da oportunidade de re-encontro com sua natureza essencial, com o sagrado, com o divino, com a numinosidade, pois além da necessidade de viver, sente a importância do uso do simbólico em suas manifestações para consigo mesmo, com os outros e com o universo onde está inserido.

sábado, 3 de setembro de 2011

Mandala Escudo Xamânico




Os escudos xamânicos sempre foram usados em inúmeras situações e em diversos ritos xamânicos. O escudo xamânico é um artefato sagrado que nos proporciona mais criatividade e integração com uma cultura belíssima, nos facilitando o resgate de nosso poder pessoal.  Os escudos xamânicos podem ser confeccionados com os objetivos de:proteção, saúde, harmonia, sabedoria, poder, felicidade, gratidão, criatividade, entre outros. Os povos nativos usam os escudos como portais de conexão e expressão das intenções e orações. Ao confeccionarmos nosso próprio escudo, colocamos nossa intenção e energia, transformando-o em um instrumento de poder. Nesta mandala, confeccionada a partir de um desenho com lápis sanguínea e sépia que é o seu centro, rodeado de pedras ônix e jaspion. Foram feitos contornos em pirogravura e preenchidos com machetaria em madeiras diversas e terra.. Evoca as forças de Gaia pedindo sua proteção e amparo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Mandala Celta




Símbolos e significados celtas

À semelhança de outras religiões, também os pagãos têm os seus símbolos sagrados. Existem poucas informações à respeito dos nós e de sua exata simbologia de acordo com cada tipo de dobradura. Mas o que pode concluir a partir do que se tem é que os celtas exprimiam com este tipo de desenho a idéia de que tudo está ligado, amarrado e de forma simbiótica, a evolução de todos se dá de forma conjunta. É um símbolo da igualdade de essências e da interconexão de toda a vida (como vindo de uma coisa só).  Os Celtas acreditavam que o número 3 e que todos seus múltiplos eram sagrados. Mas o que terá o número 3 de sagrado? Qual seu significado? O número 3 tem a vibração do Planeta Jupiter, planeta da expansão,representa o idealismo, o movimento,educação superior e fé. É o número das Tríades Sagradas e representa o corpo, mente e espírito. 1-2-3 foram os primeiros números que o homem compreendeu,a formação de um triângulo pai-mãe- filho. Para a cultura celta, há duas configurações primárias que simbolizam o sagrado três: São o trefoil, moldado como o trevo irlandês, e o triângulo invertido, freqüentemente referido como o Triângulo da Manifestação. O interessante é que eles consideravam os múltiplos de 3 com a mesma importância que o 3, o mais importante múltiplo de três era o nove – a manifestação natural do três vezes o três.  Quando a ciência da matemática começou a se tornar mais popular no século XVII, os celtas acharam que eles estavam certos na sua escolha do nove como manifestação de um número mágico. Nove não era apenas a o múltiplo natural de três, mas era também o número que podia voltar magicamente a si mesmo, e assim ele passou a ser um símbolo do poder criativo e energia. O nove também foi associado em muitas culturas aos mistérios da lua e, como a lua, o nove volta a si mesmo, não importa como ele é manipulado.
Teste você mesmo. Multiplique qualquer número por nove, some os números da soma resultante e você terá o nove. Isso nunca falha. Por exemplo, multiplique 9 por 5.  O resultado é 45. Separe o 4 do 5, some-os, e você terá o 9. Em cada exercício, feitiço e ritual dos capítulos seguintes, você verá o número três, ou um de seus múltiplos, se destacando.
Em muitos rituais celtas que você escrever por si mesmo, você deverá sempre adicionar algo em três ou múltiplos de três, quando possível. O triskle (triskele, triskelion ou tryfot),achados arqueológicos em terras celtas, da Irlanda à Europa Oriental, atesta sua ampla adoção pelos Antigos. Sua forma tem a ver com o fluxo das estações e, por consequência, representa a própria Deusa Tríplice (Donzela, Mãe e Anciã), bem como as 3 fases da lua (crescente, cheia e minguante) e Os 3 Reinos Celtas. Os 3 reinos celtas, que eram vistos da seguinte forma:
- O Céu que está sobre nossa cabeça, ele nos oferece o Sol, a Lua, as estrelas e as chuvas que fertilizam o solo. - A Terra que está sob nossos pés, ela nos dá o alimento, nos abriga e faz tudo crescer, são as raízes fortes das árvores. - O Mar é a água que está em nós, representa o Portal para o Outro Mundo, ela sacia a sede e nos dá a vida, sem a água tudo perece e morre.
Essa cosmologia é bem diferente dos quatros elementos da visão grega, pois os celtas viam tudo na forma de tríades. E cada reino era visto como um grande caldeirão sustentado por 3 pernas, que por sua vez, também possuíam mais 3 atributos.  Os 3 mundos são compostos da seguinte maneira: - O Outro Mundo: onde os espíritos, Deusas e Deuses vivem. - O Mundo Mortal: onde nós e a natureza vivemos. - O Mundo Celestial: onde as energias cósmicas como o Sol, a Lua e o vento se movem.  Para os celtas, a vida significava movimento e dinamismo e por isso não havia alternativa possível: descartada a opção de ficar quieto, sob pena de ser destruída pela incessante ondulação da existência, a única coisa que restava a fazer, era seguir andando com ela. Em seus símbolos o movimento é nítido, basta observar.
 Triskle

O triskle, também conhecido como triskeletriskelion outryfot é um dos símbolos mais presentes na arte celta e representa as tríades da vida em perpétuo movimento e equilíbrio (nascimento-vida-morte, corpo-mente-espírito,etc). O fato de ser representado por uma espécie de três pontas em espiral confere a este símbolo uma graciosa fluidez de movimentos. Para os celtas o número três era um número sagrado. A primitiva divisão do ano feita em três estações: Primavera, Verão e Inverno - pode ter tido origem na Deusa tríplice à qual eram associadas estas estações. Obviamente, o Triskle está associado ao fluxo das estações e à tripla face da Deusa (Donzela, Mãe e Anciã). Por ter tão importantes conotações, este era um dos símbolos mais presentes na arte celta. Este símbolo celta do amor eterno é formado por dois Triskeles. Cada um dos Triskel, possui três nós (três pontos), denotam os três aspectos de uma pessoa, corpo, mente e alma. O Triskel dois, unidos, mostram um círculo. O círculo representa o amor eterno de vida e eternidade. Este valor representa duas pessoas, unidas em mente, corpo e alma em amor eterno.

Deusa tríplice

A Deusa tríplice (muitas vezes associada a Brigid) representa a Deusa nas sua três faces: a Donzela (fase inicial, virginal, o início da vida), a Mãe (fase da fertilidade, gravidez, dar vida a nova vida) e a Anciã (fase da sabedoria, do passar o conhecimento às gerações seguintes), daí a sua representação ser a lua nas fases crescente, cheia e minguante.
Cruz celta
A cruz celta, também conhecida por Cruz solar representa vários ideais: os quatro elementos, as quatro estações do ano, os quatro ventos, a continuidade e renovação dos ciclos da natureza, daí ser associada ao heroísmo, coragem e à capacidade de superar obstáculos. É um símbolo que atrai que atrai reconhecimento, fama e riqueza, mas essas bênçãos só são recebidas por quem trabalhar com afinco e dedicação, por isso a cruz celta também concede força de vontade e disposição. A divindade ligada a este símbolo é Lug, Senhor da Criação (mitologia celta). Escusado será dizer que foi mais um símbolo adotado pelo Cristianismo, tendo o seu significado sido distorcido.
Pentagrama: O pentagrama é um dos mais conhecidos e ao mesmo tempo um dos mais incompreendidos símbolos pagãos ao longo dos tempos. A estrela de cinco pontas simboliza os quatro elementos: TerraÁgua, Ar e Fogo e o Espírito humano. O círculo que envolve a estrela representa o amor infinito do Espírito (Grande Mãe e seu Consorte, criadores de todas as coisas)É um símbolo que os pagãos utilizam para representar a sua fé e também para se reconhecerem.

Nó da Trindade: Este símbolo tem vários significados, sendo um deles a fé. Simboliza a Deusa Tríplice dos antigos Celtas e a sua unidade, era muito comum encontrar este símbolo em arte celta e até mesmo em manuscritos. Foi também encontrado em moedas germânicas e Pedras de Runas (memoriais erguidos aos guerreiros falecidos escritos em Rúnico), sendo estas últimas uma tradição da Era Viking. Pode também significar algo perfeito, sem princípio nem fim, sendo muito popular em anéis de casamento celtas. Após os celtas, este símbolo foi de certa forma apropriado e usado pelos cristãos para designara Santa Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.  
Nó Celta: Existem vários exemplos de nós celtas, sendo que este é apenas um deles. É mais um símbolo de algo sem princípio nem fim, o nó que elenca todas as coisas, simboliza a eternidade, a luz, a magia e a sede de sabedoria, a interligação entre as pessoas e acontecimentos, uma ligação mágica de algo que fica para sempre. Pode simbolizar amor eterno e é muito popular em joalheria celta, especialmente anéis de casamento.
1-  

Consta da tradição e celebração Celta que - no exato momento em que os raios do Sol se enfraquecem e diminuem a intensidade, sempre , ao cair da tarde - está na hora de um novo momento. Seria a reciclagem espiritual para o ungir e a preparação, agradecimento ao Senhor dos Astros, ao Pai Celestial, à Deusa, para o nascer e fluir de mais um milagre contínuo , um novo dia que se principia. Os celtas apesar da sua origem pagã, porém de fé inabalável em um Pai Maior ou um Ser Celestial Superior, no caso a Deusa, irreparavelmente celebravam o começo dos dias da Roda da Vida, através do anoitecer. Na realidade, eles lembravam e reverenciavam a Deusa. Os mistérios e a magia da Natureza como, por exemplo, o surgimento da Lua, das novas emoções, das novas intuições, adormecidas...  No ponto de vista Celta, no momento do anoitecer, os homens se acalmam e repousam depois de um dia intenso de trabalho. Mas, os sacerdotes e sacerdotisas não seguem á regra, trabalham na confecção de uma Alvorada Perfeita. Deus, segundo os celtas, também descansa durante a escuridão. Mas, em momento algum se afasta e continua próximo aos seus filhos. O Sopro Divino é inconsciente, é intuitivo para um novo brilhar, para a perfeição de todos os dias de um novo amanhecer.

As ondas do mar são assim, incessantes, no vai-e-vem celestial e etério. E o acordar e dormir, descansar e trabalhar, morrer e nascer, completam as engrenagens da Roda da Vida Celta, interação, Unicidade, Equilíbrio entre dia e noite, anoitecer e amanhecer, segundos preciosos e de intensa comunhão entre os seres vivos, espirituais e de luzes que habitam o Universo, vivem no coração da Floresta da Deusa. 
Os Celtas tinham a Intuição Celestial à flor da pele. Sabiam que é realmente preciso ATIVAR as duas polaridades. Harmonia e Paz devem estar em perfeita sintonia. Só assim a Natureza poderá se manter em equilíbrio. Da mesma maneira, como a imagem refletida é o complemento da imagem projetada. 
Portanto nas escrituras celtas: homens e mulheres precisam estar juntos para que a comunhão perfeita entre o Deus e a Deusa possa refletir e gerar os magnânimos momentos de intensa união e perfeição. 
E voltamos assim a eterna Roda da Vida, suave, frágil, mas de fios sustentáveis e indestrutíveis, movendo os momentos de equilíbrio entre o dia e a noite, marcados pelo pôr do sol, a metade da noite, o nascer do sol e a metade do dia. 
A magia está em nós, no Universo e a um passo daqueles que verdadeiramente acreditam no poder das magias. 
Os Celtas sempre vivenciaram os momentos como se fossem eternos, cada segundo uma vida, cada vida um segundo mágico da Existência. E na Roda da Vida sempre houve a presença de pontos de intercalação até mesmo no real e no linear. Assim os quatro momentos principais durante o ciclo de 24 horas seriam: 6 da manhã, meio-dia, seis da tarde e meia noite E nesta ação conjunta, haveriam pontos secundários, também de suma importância para o contexto: 9 da manhã, 3 da tarde, 9 da noite e 3 horas da madrugada. Apesar de pagãos, os Celtas tinham a Intuição extremamente aguçada... sabiam de uma forma ou de outra que o universo é simetria, é perfeição. Tudo, absolutamente tudo que brilha e vive no Cosmos tem correspondência e equivalência no Microcosmos. E, muitas vezes, necessariamente, é preciso entender o Micro, o Pequeno para poder alcançar e sentir a importância do grande do Macro.

Desse modo, para os Celtas ficou claro e patente que era mais fácil compreender os Mistérios do Universo através dos pequenos momentos, pequenos detalhes, às vezes até impercebíveis e imperceptíveis, que compreendem a extensão cíclica do dia-a-dia. Então... a partícula se faria Luz, na real noção da partícula por partícula dos grandes momentos. 
Os Celtas acreditavam, também, nos Eixos Meridianos dos quatro momentos do dia ( no fluir mágico das 24 horas, pontos vitais, e na importância dos quatro pontos secundários, na formação completa do Equilíbrio) . 
Neste processo, a verdade universal estaria refletindo a Roda da Vida e a imagem projetada dos 365 (366) dias de um ano. E na reflexão, também encontraríamos a inclusão de quatro momentos vitais: o primeiro dia do ano e o primeiro dia do quarto mês, primeiro de abril sétimo – primeiro de julho e décimo – primeiro de outubro - meses – dias que caem na divisão exata do ano em quatro partes iguais, em quatro elementos exatos, com correspondência direta nos elementais ar, terra, água e fogo . Temos, nesta concepção, quatro momentos secundários: a entrada de cada uma das quatro estações, delimitadas pelos solstícios e equinócios. Logo, nossa roda do ano estaria formada e, novamente, girando em eterna harmonia com o universo. 
Esta era a maneira de pensar e agir dos Celtas, que tinham seu calendário baseado nesses oito momentos do ano. E esses momentos eram celebrados e festejados, quando reuniam-se em clareiras e templos para reverenciar ritualisticamente essas oito datas. E no coração da floresta: a magia do pequeno e do grande fluiam simbioticamente. O sabá - ou o ritual celta destes oito momentos - ganhou nome, tributos convencionados: 
* Ao início do ano, Samhain ( 1º de novembro ); 
* Yule ( solstício de inverno – em torno de 21 de dezembro ); 
* Imbolc (1º de fevereiro ); 
* Equinócio da Primavera ( em torno de 21 de março); 
* Beltane (1º de maio ); 
* Midsummerm (solstício de verão – em torno de 21 de junho ); 
* Lughnasadh (1º de agosto ); e 
* Equinócio de Outono ( em torno de 21 de setembro ).
Esta ordem e os meses correspondentes aos sabás estão de acordo com o hemisfério norte lugar de onde vem os Celtas.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mandala da Transmutação


A Mandala da Transmutação (vidro sobre madeira) enfatiza as potencialidades das cores violeta e azul. Azul: é a cor mais fria e imaterial das cores sendo a cor do infinito e do mar. Observando, usando ou trabalhando com ela, o azul reduz o stress, acalma e relaxa. Ajuda-nos a exteriorizar os pensamentos com bondade e sutileza. Ajuda a dar valor às próprias ideias. Propicia comunicação, tem a ver com a palavra e com a verdade. Fomenta a tolerância, a justiça, a caridade, a fidelidade. Violeta: Observando, usando ou trabalhando com ela, projeta-nos a energia até níveis superiores de consciência. Unifica a mente, o corpo e o espírito. Expande a capacidade dos hemisférios cerebrais. Incrementa o poder criativo e a imaginação. É uma fonte energizante, transmuta o negativo: a guerra em paz, o ódio em amor, a obscuridade em luz. 
O desenho desta  mandala também é muito rico na informação de movimento de ascendência. É uma mandala tranquilizadora para inspirar profundos sentimentos pacíficos, reflexão e serenidade.





Detalhe 1.

Detalhe 2.